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segunda-feira, abril 28, 2003

posted by Jamie Barteldes segunda-feira, abril 28, 2003
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"Venho dos lados de Beja
Vou para os lados de Lisboa
Não trago nada, não acharei nada.
Tenho o cansaço antecipado do que não acharei,
E a saudade que sinto não é nem no passado e nem no futuro.
deixo escrita no livro a imagem do meu desígnio morto:
Fui, como ervas, e não me arrancaram"
Fernando Pessoa
Não fui uma criança inocente. De fato, vejo-me mais sonhadora e boba hoje que em minha infância. Desde muito jovem, fui acostumada a acompanhar-me por pessoas bem mais velhas, em geral músicos das bandas de meus pais e com eles frequentar os lugares da moda na época, os grandes olhos castanhos bisbilhotando tudo. Um desses, aliás, o principal deles era a Praia de Iracema. Não me refiro àquele amontadoado de restaurantes temáticos fantasmas, nem à mordomia e à segurança do Dragão, e nem muito menos àquele sombrio e fétido lugar à beira-mar. Falo da Velha Ponte cujo acesso se dava por uma fenda suja na parede, de quando existia o Kamerata e eu comia bolinha de peixe asfixiada pela mistura exótica do cheiro do gelo seco com os "gundha" de Canela. Falo de quando tomava coquetel de frutas no Pontal sentindo a maresia na pele, roubando de vez em quando um gole de cerveja dos copos de meus pais que fingiam não ver.
Este não foi o tempo mais feliz de minha vida. Estava rodeada de problemas financeiros e emocionais, acostumando-me a não pedir aquilo que deseja por saber a quantas andava os bolsos de meus pais e a tapar os ouvidos com as mãozinha para não ouvir suas infindáveis discussõe, abafando o choro num travesseiro improvisado com um casaquinho, dormindo com minha irmãno carro, do lado de fora do Coração Materno enquanto casais se esfregavam encostados ao capô e bêbados vomitavam no pneu traseiro.Achava, mesmo assim, tudo mágico e lindo. Esperei muito tempo até poder voltar a este lugar na busca por lembranças futuras de aventuras presentes nas quais eu fosse a protagonista. Hoje, no entanto, retorno ao meu quarto às 10:30 pm por simplesmente não haver mais nada ali do que presenciei e fiz parte. Passeando pelo calçadão e por aquelas antes animadas ruelas, sentí-me sozinha, infeliz e pesada com a enorme responsabilidade sobre meus ombros de não deixar a Praia de Iracema morrer. Pelo menos não em mim.
Jamie Barteldes
Trilha Sonora: "Yesterday is Gone" - Lenny Kravitz
posted by Jamie Barteldes segunda-feira, abril 28, 2003
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sexta-feira, abril 25, 2003
Continuem visitando.É isso aí!
posted by Jamie Barteldes sexta-feira, abril 25, 2003
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quinta-feira, abril 17, 2003

posted by Jamie Barteldes quinta-feira, abril 17, 2003
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Tudo começou no começo deste ano quando, frustrada por não poder adquirir os tão cobiçados livros da Siciliano, resolvi apelar para meios mais, digamos, financeramente viáveis, para suprir minha necessidade incessante por leitura. Eis que um dia ví-me em pleno centro da cidade com um exemplar de "O Primo Basílio" de Eça de Queiroz e uma biografia do David Bowie feita pela Martin Claret, tudo isso tendo gasto ínfimios R$ 4,00 .Deu-se aí meu primeiro contato com os tão famosos sebos. Desde então, sou uma assídua visitante destes lugares sujos e mofados, mas que emanam cultura por todos os poros, ou melhor, por todas as páginas. Foi numa destas visitas que encontrei o livro comentado hoje. Chama-se "O perfume" de Patrick Süskind. Há tempo um livro não mexia tanto comigo. Já tinha ouvido falar dele - é o tipo do livro o qual todo mundo ouviu falar, mas que poucos de fato leram- até já havia estado com ele em mãos, mas seu preço não me permitiu adquiri-lo. Comprei-o por R$7,00 num sebo-ambulante na faculdade. E li...li...e reli, mas ainda sim, a sinestesia não passou, está até agora comigo. A história é essencialmente boba, de ínicio. Na fétida França do Século 18, um ser completamente sem cheiro nasce com um olfato absolutamente perfeito. Em sua mente, ele vai arquivando ao longo de sua vida todos os cheiros (todos mesmo) como uma enorme biblioteca em sua mente. Ele percebe tudo por cheiros, personalidade, caráter,aproximação a longas distâncias e até mesmo as atividades que os objetos de sua análise fizeram há semanas. O livro começa a ficar interessante quando Jean-Baptiste Grenouille, a personagem de quem falo, inicia a minuciosa e criminosa elaboração de perfumes retirados de pessoas, para que obtesse assim, suas personalidades, já que ele não possui uma, por sua completa e absoluta ausência de cheiro. O problema é que, para tal feito, é necessário matar estas pessoas. O fato é que se eu contar mais talvez retire de quem ainda vai ler esta obra-prima a inesquecível sensação de choque e infinitude ao que se chega ao desfecho. Este não é apenas um livro sobre um maníaco por essências: é uma metáfora sobre a hipocrisia, sobre como é possível sulgar de alguém todas as suas forças mediante mentiras e dissimulações, sobre egocentrismo...enfim, sobre a vida, além de seu caráter extremamente atual em qualquer época. Pelo menos, essa foi mensagem que Süskind deixou nas entrelinhas para mim. Com certeza haverá outras para você.
Jamie Barteldes
Veja o resumo de "O perfume"
posted by Jamie Barteldes quinta-feira, abril 17, 2003
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quarta-feira, abril 16, 2003

posted by Jamie Barteldes quarta-feira, abril 16, 2003
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Odeio enxergar a vida como um livro cujas páginas escritas são passadas pela indelicada mão do tempo para que as próximas sejam vividas. Esse é um pensamento hipócrita, sujo, frio...porém, real.E isso me doeu o dia inetiro.
Não possuo aversão à mudanças - considero-as importantes à evolução dos fatos. De fato, até gosto de mudanças já que carregam consigo um potencial positivo inegualável. Sou jovem, não por minha idade mas por me não me opôr ao que há de vir, ou quase isso, num livro de nome esquecido.
Olho-me hoje, livros sobre a cama, olheiras, tanto conhecimento útil...É a concretização de um objetovo cujo caminho foi construído sobre as agruras e dificuldades. Superei tudo isso e cá me encontro: feliz, realizada, graduando-me. Porém, o que me dói é que encontrei o topo da minha montanha e preciso contemplar a paisagem sozinha. Meus companheiros de escalada continuam buscando o objetivo que já alcançei e isso me dói. Me dói, pois essas não são palavras de egocentrismo. São de solidão. São de tristeza. São de saudade. São de incapacidade e como dói assumir isso! Conheço pessoas maravilhosas cujas qualidades proporcionaram momentos inesquecíveis e sinto como se estivesse perdendo essas amizades,que pareciam inabaláveis,
por estas estas estarem intimamente ligadas à esses momentos e por sentir que a mão do destino gradativamente vêm virando suas páginas, mesmo contra minha vontade e alheia a minha imediata percepção.
Vivo hoje um dos momentos mais felizes da minha vida e não sei quantas vezes já pus este rótulo em épocas opacas e nebulosas. Há brilho em tudo, há encantamento por toda parte e eu estou vivendo tudo em sua mais profunda essência. No entanto, odeio arquivar essa essência na úmida adega de minhas lembranças, mesmo podendo tomá-la como um vinho quando bem entender em paródia a personagem de Suskind. Eu não quero me transformar em um armário velho cheio de remotas recordações mofadas. Não quero transformar pessoas em conteúdo de agenda telefônica com a promessa de que um dia desses eu ligo em mensagem de post-it. Não quero, mas é o que tenho feito. E isso me doeu o dia inteiro.
Jamie Barteldes
Trilha Sonora: "Kiss your past goodbye" - Aerosmith
posted by Jamie Barteldes quarta-feira, abril 16, 2003
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posted by Jamie Barteldes quarta-feira, abril 16, 2003
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sexta-feira, abril 11, 2003
Era um dia comum. Mas não como outro qualquer. O irritante soar do despertador, a água gelada sobre o corpo quente, a insatisfação com a ausência de conteúdo para preencher a calça, o perfume-repelente, o Zé Walter lotado até o terminal. É ai que começa a história de um dia normal. Eu, perdurada ao cano sujo do ônibus tomando meu Quick do Bob Esponja sabor Morango, observo o Montese acordando, ainda bocejando de sono. Bocejando como o rapaz de bermuda amarrotada, não mais amarrotada que seu rosto, os olhos miúdos ainda acostumando-se à luz, uma mão coçando a barba, a outra coçando a barriga e eu fico feliz por ele não estar "ajeitando" ou tirando meleca do nariz na minha frente, já que o Montese-Parangaba arrancou-me desta cena.
O ceu está azul, algo incomum nesses dias de dilúvio. O sol brilha, toca meu rosto e eu busco sua magnitude. Fito sua luz! Nisso, a dor de cabeça que eu já sentia pelo excesso de açucar do já citado quick do Bob Esponja se enfatiza e me deixa cega por meio minuto. Desisto do sol, observo meu caminho, o que é louvável já que quase perco minha parada. Inicio minha caminhada buscando todo e qualquer objeto que venha a refletir minha imagem para que eu me divirta com a "falta de conteúdo para preencher a calça" que me aperta um pouco. Caminho cantarolando a canção que ouvi no ônibus e todos que por mim passam quase quebram o pescoço observando meu sorriso, mesmo com o sol a pino, o sono, e o quase banho de lama.
Chego à faculdade, tomo um café maravilhoso e uma tapioca fria que imediatamente dá-me azia. Mas, eu tento continuar sorrindo, já que a tia é gente fina e por eu estar hoje, pelo menos, tomando café.
Em direção à sala, encontro com a Rachel pós-noiva que me pergunta o que há comigo. A falta de paciência me faz escrever essa crônica, alheia às piadinhas sem graça do professor de Latim, enquanto ela se diz suja e preguenta, querendo chpar um picolé, embora eu não tenha achado ainda alguma relação entre uma coisa e outra e este continua sendo um dia comum..Mas não como outro qualquer.
Jamie Paula Colares Barteldes
Trilha Sonora: "It´s friday I´m in love"- The Cure
posted by Jamie Barteldes sexta-feira, abril 11, 2003
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quinta-feira, abril 03, 2003
"When all is sad and done
How colud I don´t fell guilty for my heart
The guilty have got no place on earth
when all is broken and lost
How could I want you to fell I´m sorry?
yeah,I´m sorry
But...Does love forgive it?"
Thobias
Jamie Barteldes
posted by Jamie Barteldes quinta-feira, abril 03, 2003
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