|
Comments:
quinta-feira, dezembro 19, 2002
posted by Jamie Barteldes quinta-feira, dezembro 19, 2002
Comments:
terça-feira, dezembro 17, 2002
ComentáriosO corretivo facial esconde perfeitamente o tom arrocheado que o choro ardido e indiferente garantiu aos seus olhos castanhos. Pinceladas perfeitas pintam seus lábios de vermelho, o "blush"sutilmente devolve ao seu rosto a aparência humana, afastando a
mórbida palidez de seus últimos meses.
O tubinho preto justíssimo salienta suas curvas que as habituais calças jeans parecem ignorar. A sandália alta prateada, combinando com suas jóias que reluzem como sóis particulares em suas orelhas a deixam com um ar completamente atípico face a garota secundarista dos dias úteis. Borrifadas precisas do caríssimo perfume finalizam a produção ao que o cacheado loiro liberta-se da presilha deitando-se confortavelmente sobre seus ombros nus.
A luz da lua a lambe invejosamente quando deixa sua residência entrando no taxi que a leva até seu destino. Em cada esquina do caminho ela deixa cair um punhado de seus pensamentos tristes, decepções, derrotas, planos, falhas, erros, anseios e culpas.
As sandálias agora são suspensas pelas mãos enquanto os pés sentem a areia fria e fofa da praia solitária na qual ela deita-se, os cabelos a misturarem-se ao granulado marítmo. A brisa nem sequer é sentida em meio a euforia que subitamente toma seu corpo em uma momentânea inércia temporal.
Isenta de sentidos, ela ergue-se em passos determinados, lança-se ao mar, conhecendo a intimidade das ondas, transformando-se finalmente em energia, fingindo controlar o soluçar oscilante a água salgada.
(...)
Após o ritual, ela volta para casa semelhante a qualquer outra mulher retornando de uma balada, excetuando-se apenas o cabelo molhado, a lua guardada na pequena bolsa e o universo protegido por seu olhar apaixonado.
Jamie Paula Colares Barteldes
Crônica escrita em : 17/12/02
Trilha sonora: "Admito que perdi" - Paulinho Moska
posted by Jamie Barteldes terça-feira, dezembro 17, 2002
Comments:
Para Nathália, Bruno, Felipe, Lidyane e demais aprovados:
"Para ser grande, sê inteiro
Nada teu exagera ou exclui,
Sê todo em cada coisa, põe o quanto és no mínimo que fazes
Assim, a lua toda brilha,
porque alta vive..."
Fernando Pessoa
Seria bem mais dramático da minha parte ( e consequentemente mais Jamie), entrar em crise existencial por não ter sido aprovada no vestibular para o qual com tanto afinco estudei. Seria...mas, o sorriso ainda se mantêm nos meus lábios por saber que poucas, mas ainda algumas das pessoas que sinceramente amo, atingiram seus objetivos ou ainda, venceram uma das etapas para o derradeiro sucesso.
Minha personalidade, embora oscilante, não consegue absorver a melancolia por completo ao ter ciência de que minha vida não acabou por um simples resultado negativo. "A vida é senóide" ja dizia Laertti - meu sucesso futuro depende do quanto eu caí no passado, e estou em um período de erros. Erros infindáveis que me transformarão em uma mulher mais madura e vivida - é melhor passar por isso agora, para poder rir depois.
Aos meus amigos que conseguiram agora o que o destino apenas adiou para mim, meu sincero e emocionado boa sorte. Aproveitem as oportunidades que a vida nos oferecem, evoluam...mas jamais esqueçam-se de seus princípios. Não deixem que o sol bloquei a visão do infinito...
posted by Jamie Barteldes terça-feira, dezembro 17, 2002
Comments:
sexta-feira, dezembro 13, 2002
Noite de sexta-feira. Instrumentos devidamente organizados, cada qual com sua correspondente equalização, esta por sua vez mais condizente com o ego do músico que com a harmonia propriamente dita.
Eis que a banda sobe ao palco um a um. O "hit-man" estrala os dedos enquanto o guitarrista toma a guitarra como um filho, envolvendo-a em seu tronco, disfarçando o misto de êxtase e medo que povoa sua mente ao olhar de rabo-de-olho para o imenso mar de camisetas pretas que o defronta. Os demais integrantes tomam seus postos e a platéia entende que o grande evento da noite terá início.
E ele surge. Impecável, desafiador...o grande anfitrião da mágica rítmica prestes a envolver a todos os que no recinto se encontram em uma só unidade. Vestido de negro em absoluto, as correntes que o adornam tintilam ao que seu semblente compenetrado dá lugar ao sinal prólogo.
Um silêncio absoluto toma o ambiente e somente é interrompido pela distorção perfeita dos primeiros acordes da guitarra. A platéia delira ao sentir como se seus corpos obedecessem ao ritmo imposto pelo som do bumbo, que o baterista retira da força sobrenatural que o faz bater tão forte e rápido.
Mas todos sabem que não é suficiente e abrindo os olhos após o efêmero transe, fitam-o no palco. Ele toma o microfone com uma das mãos, enquanto a outra ajeita uma mecha de seus longos cabelos que teima em cegá-lo. Ele olha para a platéia e os músculos de se rosto entendem o recado, fazendo com que uma leve abertura labial surja.
Ele vai cantar..e então, permite que o som liberte-se como um pássaro confinado buscando a luz e... canta!
Quer dizer...acha que canta. A decepção está estampada no rosto de cada um. Ele, de olhos fechados, continua a disseminar pelo ambiente tamanha ausência de voz, talento e alma para cantar rock.
E o público percebe, e mais uma vez não entende a razão pela qual ainda cultivam a esperança ao retirarem-se de suas confortáveis cobertas, na comodidades de seus cd players e de seus MP3, de onde cultivam bandas magníficas, onde a palavra "Rock" une-se com "Roll", resultando no mais explosivo, exitante e maravilhoso resumo da perfeição, na vâ expectativa de encontrar em nossas terras uma banda que nos faça simplismente curtir a noite!
Ele continua a cantar e a platéia tenta adivinhar como alguém tão vocalmente medíocre ousa introduzir em tão surreal ritmo, inaudíveis ondas sonoras provinientes de cordas vocais inúteis e imprestáveis para tal fim.
Masninguém vai embora numa mistura de respeito e conformismo, ambos infundados, e sabem que vão continuar a ir a todos os shows anunciados, como se algo em suas almas dissesse, em voz branda e ecoante, que em algum desses showzinhos infames, um dia, quando não mais houver esperanças, surgirá das entranhas desta cidade um Bruce Dickinson cabeça-chata que os farão perceber que, sim, há vida além do Siqueira Clube...
O som das latinhas de cerveja abrindo torna-se imperceptível diante do estrago que o pseudovocalista faz em um grupo consideravelmente bom. Tento não acreditar no que ouço enquanto o líquido entorpecente é rapidamente absorvido pelo meu organismo e com a lata na mão, imagino com detalhes o que aconteceria se eu acertasse esta latinha no meio da testa dele.
O sangue, a dor, o tumulto...ah isso é que Rock 'n'Roll!!!
Jamie Paula Colares Barteldes
Crônica Escrita em 01/08/2002 às 9:59 pm
Trilha sonora: "Rock is dead"- Marilyn Manson
posted by Jamie Barteldes sexta-feira, dezembro 13, 2002
Comments:
Comentários
posted by Jamie Barteldes sexta-feira, dezembro 13, 2002
Comments:
Perco horas diante do espelho. Não que eu seja vaidosa, pelo contrário, sou desleixada até demais com minha aparência. Observo meu refelexo no espelho tentando acostumar-me a ele numa busca por auto-conhecimento que jamais chega ao fim.
Repito expressões que fiz durante o dia tentando revivê-las por outro ângulo, vendo como os outros me viram nesses momentos. Não foi Pedro Lyra quem disse: "Viver é real/ Reviver é poético"?
Não há um dia sequer em que eu veja o mesmo o que vi no dia anterior. Estou sempre diferente e estranhamente igual, o que apenas instiga-me a buscar meu reflexo de novo, procurando algo de belo e feio nesta face conhecida.
Às vezes converso com o espelho - ele até então nada me respondeu. Talvez por isso aprecie tanto este diálogo - ele não concorda, mas também não discorda, não me dá conselhos que não seguiria e isso me dá uma certa autonomia.
Acredito não ser a única com tendências narcisistas. Há quem resista a um exame, mesmo que rápido, de si próprio?
Talvez eu não o use da forma comum. Não busco um penteado perfeito ou uma maquiagem impecável. Continuo a fitar o espelho na esperança de que um dia, quem sabe, este instrumento me mostrará mais do que este rosto pueril, refletindo minha alma para que eu possa então saber o que realmente sinto.
Jamie Paula Colares Barteldes
Crônica escrita em: 11/12/02 às 10:37pm
Trilha Sonora: "Um dia perfeito"- Legião Urbana
posted by Jamie Barteldes sexta-feira, dezembro 13, 2002
Comments:
sexta-feira, dezembro 06, 2002
Comentários
posted by Jamie Barteldes sexta-feira, dezembro 06, 2002
Comments:
Sentia-se subitamente propensa a isolar-se. Essa sensação vinha tornando-se cada vez mais comum a seus dias entregues ao ócio - não tinha estímulo para estudar. Este ano possuía um sabor indestinguível, hora flertando com a felicidade, hora com o desespero. Fizera planos para o futuro repletos de boas experiências, afastando sempre a possibilidade de erros envolvidos.
Agora escrevia. escrevia repetindo o mesmo gesto que fizera quando imaginava o agora. Fitava os livros na estante, todos já lidos, cada um remetendo seu pensamento a um episódio de sua vida efêmera, cada um trazendo mais que pensamentos imortalizados de mentes que, quem sabe, sofreram o mesmo. Trocara beijos por letras, namorados por coleções repudiadas por seus amigos.
De tanto tentar ser notada, teve que buscar um caminho que, não a ausentando, ao menos forjasse a distância da insanidade. Se não podia viver histórias extraordinárias na vida real, que achasse consolo imaginando-se em vidas alheias, emocionando-se como se fossem aquelas palavras a materialização de seus dias.
Entregou-se aos estudos como um mergulho ao mar e analisando-se hoje, não sabia se ria ou se chorava. Seguia seus dias fingindo um senso de humor inexistente, enfatizando sua covardia ao escrever utilizando a rala máscara da terceira pessoa. Pois é menos doloroso acreditar ser realmente uma das personagens de seus livros - aceitar a realidade era algo impraticável, que sua caneta, cúmplice de delírios e alucinações que a sujeitavam a escrever em meio a madrugada, não pretendiam fazer.
Jamie Paula Colares Barteldes
Crônica escrita em 04/06/02 às 3:30 am
Trilha sonora: "Primeiro impulso" - Zélia Duncan
posted by Jamie Barteldes sexta-feira, dezembro 06, 2002
Comments:
No "João Pessoa" quase vazio retorno ao meu lar após meus estudos específicos. A montanha de livros, td's e cadernos acupa o assento ao lado. Pelo alaranjado suave do sol nas paredes dos velhos edifícios por onde passo, deve ser por volta de cinco horas da tarde.
Meu olhar perdido passeia pela vista que a janela suja me garante: camelôs a recolherem suas mercadorias, o semblante cansado de quem passou o dia a buscar pechinchas no Centro, o local até hoje mais apropriado para tal fim. Nem mesmo a febre dos Shopping Centers conseguiu tirar as glórias deste amontoado lojístico. De certa forma até as acentuou.
Os seis anos nos quais estive longe de Fortaleza não conseguiram apagar de mim a sinestesia desta capital ensolarada. E por isso, ao percorrer mediante o chacoalhar do ônibus estas ruas, sinto como se jamais tivesse me ausentado e como se nunca tivesse visitado estas terras - descubro lugares que já conhecia, exercito o saudosismo sadio de meus primeiros dez anos de vida.
Fecho os olhos relembrando minha infância repleta de nuances e o cheiro da batata frita oleosa e do milho verde assado tomam meus sentidos como se cada molécula minha guardasse em suas entranhas esse aroma, desde os tempos em que eu usava aquelas enormes calcinhas de algodão branquíssimo repletas de babados compradas aos montes no Mercado Central. Guardaram para que um dia - quem sabe hoje - eu pudesse escrever sobre o Centro, nosso Centro...meu Centro.
Quando se fala em Fortaleza, a associação às praias é inevitável. De fato, são lindas - poluídas - mas, lindas. Não pretendo mudar esta aptidão turística; a Praia de Iracema me concebeu, a Aldeota me criou mas foi o Centro quem tirou minha virgindade poética...
Jamie Paula Colares Barteldes
Crônica escrita em 05/12/2002 às 11:45 pm
Trilha sonora: " Jura Secreta"- Fagner
posted by Jamie Barteldes sexta-feira, dezembro 06, 2002
Comments:
quinta-feira, dezembro 05, 2002
Resposta em prosa ao "Estrangeira"...
A realidade é para mim um incógnita. Não sei se vivo o que agora vivo, ou se realmente tenho um passado - minhas lembranças fundem-se com histórias que não são minhas e diálogos que não estou bem certa se realmente aconteceram, isto é, comigo, já que isso muda tudo e não altera nada simultaneamente.
É por isso que duvido de meus sentidos; por tudo reter perfeição mesmo que nas entrelinhas. Por já haver em mim histórias complicadas demais, incertas demais...Creio que pela complexidade destas, acabei por acostumar estes mesmos sentidos, que hoje duvido, ao impossível, à burocracia afetiva que empurrava-me em direção ao abismo do fim. Longas e dolorosas quedas desencandearam na desconfiança ante ao simples, logo o simples que enche-me o peito de ar novo e que faz-me comtemplar cores outrora enegrecidas pela fuligem resultante de minha alma em chamas.
É uma ressureição antes que um suicídio, uma possessão temporária, um terromoto contraditoriamente sob controle. Um controle que não possui dono, intrínseco e ajuizado, sem vezes de ditadura.
É a novidade, e por saber que o novo divaga, divago junto sem culpa, por haver um quê de doçura captado por meus sentidos que pleonasticamente repito, é certo que duvido.
É cedo, bem sei, e espero que jamais sera tarde. Cansei-me de refutar, de buscar razões que justificam razões e pormenorizam razões. A verdade é que resolví mandar a razão às favas.
E se faço desta folha um cúmplice, às favas com a duvida na qual meus sentidos estão imersos.
Prefiro usá-los e deixar que sejam usados por essa história que, como já disse, não sei se vivo, mas que me devolve a cada palavra, ato ou pensamento o sorriso aos lábios que não estou bem certa se são meus.
Jamie Paula Colares Barteldes
Crônica escrita em 17/10/02 às 1:30 am
Trilha sonora: "Amor pra recomeçar"- Frejat
posted by Jamie Barteldes quinta-feira, dezembro 05, 2002
Comments:
Somos teimosos, caro leitor. Se isso é bom, não sei. E por não saber de mais nada é que escrevo, quem sabe acentuando minha ignorância, quem sabe enfatizando minha inteligência que de novo me faz companhia, quem sabe apenas tentando levar a insônia embora e é Corgan me completa..."Sleep will not come to this tired body now, peace will not come to this lonely heart..*."
Uma pergunta me consome: se sabemos que o destino de tudo é o fim, qual o porquê da insistência em continuar tentando? É incrível...se formos realmente realistas em nossas análises observaremos que a maoiria das canções de amor falam da perda, da angústia em não se ter por ter perdido ou por não ter achado um amor ideal. E mesmo com tudo o que já foi escrito, mesmo na iminência da dor, não aprendemos e continuamos a nos iludir com pouco, um pouco que nos completa, que parece levar embora a dor acumulada, que nos traz a esperança de que, sim, desta vez vai dar certo.
Mas, é bobagem...o fim é inevitável. Nascemos e morremos. Aprendemos e erramos. Amamos e perdemos e vai ser assim até o fim de nossas existências. Sabemos disso, mas, como disse, somos teimosos. Continuamos a procurar alguém que nos complete e não vá embora, que nos complete e não tenhamos que deixar...que nos complete e não nos sufoque a ponto de desejarmos ser outro, já que isso jamais conseguiremos.
* "O sono não virá a este corpo cansado agora, a paz não virá a este coração solitário"
Jamie Paula Colares Barteldes
Crônica escrita em 27/10/02 às 2:00 am
Trilha Sonora: "In the arms of sleep" - Smashing Pumpkins
posted by Jamie Barteldes quinta-feira, dezembro 05, 2002
|
 |