{Exercícios Pleonásticos por Jamie Barteldes } spacer
spacer
spacer
powered by blogger Comments:

{domingo, fevereiro 15, 2004}

 


posted by Jamie Barteldes domingo, fevereiro 15, 2004
Comments:
 
Depois de muito refletir, não sei o que escrever. As palavras, minhas companheiras inseparáveis, fogem de mim. A sinestesia que alimenta e guia o digitar destas letras, consome as hipérboles, devora o eventual bom senso literário, impede-me de não desviar minha atenção para este sinal que bem no meio de minha coxa esquerda. Distraio-me, revivo.

Não sei o que escrever e não é de hoje que tal inconstância literária causa-me desconforto. Temi não estar ciente de meus atos o suficiente para que pudesse então deixar de escorregar pelos meus dedos estes devaneios. Não é assim tão simples. Mais que feita de sílabas, sou eu a reunião de um corpo e uma mente e devo a estes últimos o direito de entregar-me. Se minhas linhas não me entendem, á um motivo. Quiçá a prudência, ignorada pelo verbo dito, regule a minha letra disforme. Talvez seja beirar a insanidade delegar senso humano a letras que se unem mediante minha vontade.

A verdade é que os dias se passam suaves quando refletidos no azul dos olhos felinos que vigiam minha felicidade.

posted by Jamie Barteldes domingo, fevereiro 15, 2004

Comments:

{domingo, fevereiro 01, 2004}

 
Abandonar os exercícios pleonásticos teve um motivo. Não sei se um bom motivo ou um motivo que justifique tal crime (que seja visto como crime o fato de abandonar algo que eu mesma criei). A “franguinha”, apelido que meu blig ganhou sem que eu assim o nomeasse, tornou-se um lugar mais livre que os exercícios. Não que este layout verde-abacate-estragado me prendesse em algo ou em algum conceito, padrão a ser seguido para ser postado. Só que acabei descobrindo que as coisas que escrevo podem ser encaradas de forma diferente dependendo de onde eu vir a postá-las. E refletindo sobre isso e sobre as outras preocupações, novas e antigas, que permeiam estes dias de chuva em Fortaleza, acabei voltando aos exercícios, não como alguém que retoma o que é antigo na esperança de ter algo no que se agarrar, mas, e exatamente por esse motivo, para respirar ar novo. Às vezes é preciso passar um tempo longe da realidade para voltar a acreditar nela. Ás vezes não é a realidade o que anda mal, mas sim a constância das visitas que fazemos ao que não nos parece muito certo, e interpretem este certo como algo que é seguro e não algo que não é errado. Se bem que constantemente a gente confunde tanto esses dois sentidos que eles acabam sendo forçados a dividir entre tapas o mesmo campo semântico. Nem tudo o que é incerto deve ser encarado como sofrimento à vista ou precipitação imediata no que não deveria ser visto como correto. Às vezes a segurança excessiva traz mais dor que resultado e daí a gente fica se perguntando se vale realmente a pena viver na corda bamba só para não perder a emoção do espetáculo quando quem se diverte de fato são os que observam o número repetido e repetido e repetido. Acho que há de se manter, como tudo na vida, o bom senso. E há de se jogar fora o bom senso de vez em quando. O bom senso é bom para usar como justificativa para continuar escrevendo, continuar esperando e o relógio fazendo este barulho irritante que não consegue manter o mesmo ritmo do meu batimento cardíaco. Mas o bom senso é um lixo quando este mesmo relógio faz uma tarde passar ligeiro, ligeiro. Vai ver que bom senso e relógio é que estão sendo mantidos a contra gosto no mesmo campo semântico. Vai ver que o cara que inventou o relógio queria na verdade inventar o bom senso. Vai ver que quem inventou o bom senso tentava justificar sua espera e daí inventou o relógio também como passatempo. Vai ver que uma coisa não tem nada a ver com a outra e nada realmente exista, mas aí eu vou começar a discutir o sentido da vida e esse não é meu curso, deixo isso para os colegas de filosofia, volto para as minhas gramáticas normativas, afinal, bom senso, relógio e retorno devem obedecer a alguma norma cósmica e com certeza tem algo a ver com a eventual impossibilidade de tradução do auxiliar “do” em frases interrogativas da Língua Inglesa.
(...)
(cronista tentando entender o que escreveu)
(...)
Eu, hein...

Jamie Paula Colares Barteldes
Fortaleza, na tarde de 30 de janeiro de 2004
Trilha Sonora; “Bandeira” – Zeca Baleiro

posted by Jamie Barteldes domingo, fevereiro 01, 2004

spacer